Nosso veterano

Continuando a falar sobre os ilustradores que alegram nossas capas, hoje tenho a alegria de colocar nosso bate-papo com Julio Carvalho.Crime_e_castigo

Pode ser experiência ou feeling, mas quando trabalhamos com o Julio ficamos contando os diaspara ver o estudo de ilustração, pois ele sempre nos surpreende.
Costumamos falar que ele é o grande artista da casa. Com o Julio basta dizer três informações básicas sobre a obra para ele maravilhar o editorial com suas ilustrações. Prova disso é o sucesso que as capas de Os miseráveis, Crime e Castigo, Morro dos ventos uivantes (entre outros) está fazendo.
Um pouco do nosso querido Julio:

BATE-PAPO

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Como você considera seu estilo de criação?

No que se refere à ilustração, meu trabalho atual consiste em um traço realista. Porém, tento soltá-lo o máximo que posso, não costumo distorcer demais as proporções do desenho, mas admiro quem o faça com maestria. Gosto muito de utilizar texturas. Às vezes, mais de três texturas diferentes na mesma ilustração, e arrisco afirmar que algumas dessas texturas “falam” mais do que o próprio desenho. Utilizo técnica 100% digital, mas isso não significa que já não tenha trabalhado com técnicas tradicionais e que não possa trabalhar novamente.

Qual foi o maior desafio de criação que você já teve?

Meu maior desafio foi, obviamente, minha primeira capa. O ano era 2004 e tratava-se de um livro juvenil que fazia parte de uma trilogia com a temática fantástica, cheio de magia, criaturas, e coisas do tipo. Por ser meu primeiro trabalho para uma grande editora, havia certa preocupação com a aceitação do público.
Me lembro que li o livro todo em três dias, me atentando a cada detalhe do texto, o que me ajudou a criar uma composição bem interessante para a capa, que teve uma ótima aceitação.
Mas não poderia deixar de citar uma capa que fiz em 2010 para a revista MAC+, cuja ideia do editor era que eu fizesse toda a ilustração desenhada no iPad, com o dedo. Foi um desafio e tanto.

Você só é freela? Indica ser freela para quem quer começar na área de ilustração?

Nunca trabalhei como freelancer em tempo integral. Sou também designer gráfico em uma grande empresa, da qual faço parte há 18 anos e meio. Quanto a ser ilustrador, apesar de exercer a profissão como freela em tempo parcial, considero que o ideal para um ilustrador, no Brasil, ainda é trabalhar sem vínculos empregatícios. Porém, o mais importante, a meu ver, não é o modelo de contratação e sim o sucesso na negociação das remunerações e contratos de licenciamento. Por exemplo, para quem está começando, é natural trabalhar por um preço abaixo do mercado, na esperança de ganhar com a divulgação do próprio nome. Isso é uma armadilha do mercado que pode marcar o profissional para a vida toda, o que não recomendo.

Como foi criar para a editora Martin Claret? Você já trabalhou em diversos títulos que ficaram ótimos…

Há alguns anos tenho colaborado com a Martin Claret ilustrando capas para alguns títulos importantes da literatura. Tem sido recompensador, uma vez que tenho conseguido estabelecer um estilo de traço bastante expressivo, o qual, até onde sei, tem agradado aos editores. Ou não? (risos). Sem contar que também é sempre desafiador tentar criar, por exemplo, uma capa para Os Miseráveis ou O Morro dos Ventos Uivantes diferente de tudo que já foi criado até hoje em tantos anos.

os miseráveis

Julio, você é fera!

Um pouco mais:

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